Esta pergunta impõe-se há muito tempo.
De onde é que vem o dinheiro do nosso “Rei”? Sim, porque eu tenho a ligeira sensação que ele não trabalha. Mas posso estar enganado. Ele se calhar tem um emprego às escondidas, e ninguém sabe disso. Estou a imaginar o Dom numa serralharia em Cabeceiras de Basto, de fato de macaco azul, com “Lisnave – torneiro mecânico” escrito atrás. Todos os dias às seis e meia lá acorda ele, enquanto a que deu o golpe do baú, perdão, a Dona mulher dele já está na cozinha a preparar-lhe a sandocha de toucinho para a bucha a meio da manhã. Depois de lhe entulhar a marmita de metal com tampa vermelha com arroz de salsichas, fecha-a bem e junta-lhe um guardanapinho com os talheres, para a guardar na sacola da Adidas, versão equipa olímpica alemã de 1977. Nisto está o nobre trabalhador a fazer a barba com a clássica lâmina de barbear descartável, azul escura, com mais quilómetros de pelo que a Cicciolina tem de gaita, preparando-se já para entrar no banho, que vai demorar três minutos, porque não se perde tempo com mariquices, o sabão de glicerina dá para a cabeça e para o corpo, vai tudo de seguida.
Depois é vê-lo sair de casa, de sacola a tira-colo, enquanto só dá um beijo na cara da patroa e lhe diz: “Ôlhe, não se esqueça de se preparar para a soiré de hoje, tá?”
Oito horas, lá está ele à porta da garagem do sr. Simplício, que serve de oficina da serralharia familiar, onde trabalham o filho, o sobrinho e o cunhado do patrão. Claro que os comentários dos colegas do Dom são do melhor: “Este tipo tem mesmo classe…” – “Olha, deviam era voltar ao tempo dos reis, que este homem tem um coração de ouro!”.
“Bom dia, shô Rei!”. E é um ver se te avias de graxa até às seis da tarde, não vá ele um dia chegar ao poder.
Já viram o ar do nosso Dom? Agora é imaginá-lo numa serralharia, ali de rebarbadora na mão, a tentar aparar uma chapa de zinco há duas horas e meia, quando o cunhado do patrão lhe indica delicadamente que o botão de lado na pega da máquina, aquele que tem um I e um 0, serve para fazer o disco girar, facilitando assim a vida ao monarca. Engraçado seria vê-lo escandalizado, quando por volta dessas onze da manhã, hora do cigarrinho e da “mine”, a malta desse a valente coçadela na colhoada.
Será que ele coça os tomates? Estas coisas é que deviam aparecer nas revistas. Que ele vai a festas e se veste à senhor, ao lado da que se casou com ele para poder ter um título nobiliárquico, perdão, ao lado da Dona, já todos sabemos. Agora as coisas a sério da vida é que era giro de aparecer. Por exemplo, quando ao domingo, depois de um cozido à portuguesa recheado de enchidos e couves com fartura, um gajo bebe o último gole de tinto, limpa a beiça ao já encardido guardanapo, e após uma murraça no peito solta um arroto capaz de causar lesões irreparáveis na traqueia. Isso é que devíamos ver naqueles programas que acompanham o dia-a-dia dos famosos. Para já, o gajo deve ressonar que nem uma lontra. E não me venham dizer que de vez em quando, à noite, não se ouve aquele ranger de nalga peluda, provocado pela passagem de gás sufocado em gordura que teima em passar pelo desfiladeiro do rego. Até aposto que não falta o “Aahhh” de satisfação.
Isto sim, era do interesse público. Tudo bem, podem-me dizer “Ah, mas isso é a vida privada das pessoas.” E então? Um gajo não tem que levar com a vida toda dos miúdos do B.B. nas revistas? E esses não são famosos. São conhecidos só porque existem, não fazem nem fizeram nada para ter reconhecimento. Bom, o Dom também não… Mas não interessa, ele diz que é o descendente não sei de quem, que morreu há não sei quanto tempo, e que também não era ninguém na sociedade enquanto estava vivo, mas que à falta de melhor, é o mais parecido com um possível herdeiro do trono.
O que também é uma estupidez, diga-se. Então se acabaram com a monarquia, até fizeram um feriado à conta disso, agora louvam aquele que é o último resistente do inimigo? O gajo devia era ser perseguido e preso. Não foi o que fizeram com os outros? Mas não, resolveram recuperar o título e tratá-lo como se fosse alguém importante para a sociedade. Qualquer dia está aí um gajo qualquer, descendente de um ex-pide, a viver à pala e a ir a tudo quanto é festas, recebendo para isso, ainda por cima. Afinal não é o que fazem com este?
Na linha do grande Elvis, the king is still alive!
«pala» está bem, mas que tal uma palazita no
«pelo»?
3, de 1 a 10.
[E nada de ego frustrado,que é muito raro o Senhor Doutor dar mais do que 5.]
Afixado por: Senhor Doutor em outubro 15, 2003 05:10 PM